sábado, 23 de abril de 2011

CURRÍCULO: "PISTA DE CORRIDA" OU "CORRER NA PISTA" ?


Bom! Porque esse título? Afinal, para falar de educação, é imprescindível falar das teorias do currículo. Assim como, definição da palavra que vem do latim (curriculum-"pista de corrida").
Nos anos 20 o aluno era visto como um produto fabril , e hoje? Será que depois de tantas mudanças na educação e na sociedade, o aluno deixou de ser um produto e passou a ocupar um lugar de maior valia? 
As teorias do currículo procuram justificar a escolha de determinados conhecimentos e saberes.  E pensar... que a aprendizagem acontece quando o indivíduo sente necessidade, respeitando-os como seres autônomos. Selecionar os saberes não é uma tarefa simples, porque é preciso analisar a identidade e não o futuro dos indivíduos. As teorias tradicionais ao aceitarem os conhecimentos e os saberes dos dominantes, acabaram se concentrando em questões técnicas, de organização, se perguntando "o que". Enquanto as teorias críticas e pós-críticas ao considerar as conexões entre saber, identidade e poder, a questão central é "porque", junto com a ênfase dos conceitos de ideologia e poder.
Hoje o aluno não é o centro da ação social. Ele não pensa, fala e produz: ele é pensado, falado e produzido. Para discutir e elaborar o currículo, é preciso ter condições físicas, mentais e emocionais para "percorrer a pista".
Referências: Silva, Tomaz Tadeu da
                             Documentos de identidade; uma introdução às teorias                   do currículo- Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
O currículo é uma construção social, é o resultado de um processo histórico, que faz com que certos conhecimentos façam parte e outros não. Assim, o currículo faz parte da vida de cada um, é a autobiografia, é texto, discurso, documento e identidade.










terça-feira, 12 de abril de 2011

" ENTRE OS MUROS DA ESCOLA"



A primeira lembrança que me surgiu na memória, após o pedido da professora de Didática, em preparar um blog como pano de fundo de nossas idéias e como manifesto de nossa aprendizagem, foi o filme francês do diretor Lauren Cantet, do ano 2007. Um drama, na qual o personagem principal, o professor François Marin, trabalha numa escola de ensino- médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo. François busca estimular seus alunos, mas o descaso e a falta de vontade são grandes desafios. 
François pode ser visto como um educador, em um primeiro momento, mas também como uma espécie de colonizador. Seu sobrenome Marin, que pode ser traduzido ao português como marinheiro, sugere alguém que é desbravador dos mares e de novas terras. Seu esforço em fazer com que seus alunos incorporem o idioma francês pode ser interpretado como uma espécie de "processo civilizador" imposto a esses alunos de diferentes etnias. 
Considerando a função educativa da escola na sociedade, na qual deveria intervir em duas vias. Primeira, organizar o desenvolvimento radical da função compensatória das desigualdades de origem, mediante a atenção e o respeito pela diversidade. E, em segundo lugar, provocar e facilitar a reconstrução das conhecimentos das disposições e das pautas de conduta que o indivíduo assimila em sua vida paralela e anterior à escola.
Assim, esse filme é um exemplo ilustrativo da função social da escola, e nosso Marin, le mediateur nessa função.
Os muros da escola não são os únicos que revelam uma divisão e uma impenetrabilidade entre dois lados. Há também outros muros invisíveis que estão sugeridos no filme.

Vale a pena  conferir.